terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

BUEIRO ABERTO NO CENTER PARK

O descaso do poder público municipal de Campo Grande tem sido generalizado. No bairro Center Park, na região norte da cidade esse descaso é gritante. Lá uma senhora, retornando da igreja à noite, chegou a se machucar com a queda em um bueiro na Rua das Mamonas com a Rua Joaquim Inácio de Souza.
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Bueiro do Center Park

PORTAL PANAMÁ APÓS UMA BREVE CHUVA

Os moradores e transeuntes da rua Lenir Flores Bergonzi, no Portal Panamá estão sofrendo há mais de um ano com os constantes alagamentos, buracos, mau-cheiro e até proliferação de mosquitos devido às poças de água que se formam a cada chuva. Para essas pessoas isso tem sido uma realidade constante e por mais os façam denúncias nos vários meios de imprensa, o poder público de Campo Grande não tem tomado nenhuma providência sobre o caso. Vejam como fica a rua após uma breve chuva:
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Portal do Panamá

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

DIA MUNDIAL EM MEMÓRIA DAS VÍTIMAS DE TRÂNSITO

Todos os dias começo meu dia virtual (preferencialmente no twitter) pedindo, para quem lê meus posts, que tenha mais prudência no trânsito. Sempre acreditei que o problema do trânsito não significa somente investimento através de política pública mas um investimento na consciência de cada um. Por conta disso venho pensando em escrever algo sobre o perigo de se andar pelas ruas de Campo Grande, seja a pé, de carro, de bicicleta ou de qualquer outro tipo de veículo. Confesso que estava completamente sem idéias já que tudo o que se escreve sobre o tema se tornaria redundante. Muita gente já escreveu sobre o tema e por isso não precisaria eu escrever nada. Mas aproveitando a data que se comemora o Dia Mundial em Memória das Vítimas de Trânsito, dia 21 de Novembro, quero fazer um CTRL C + CTRL V de um artigo escrito pelo Frei Betto para o site Adital por ocasião da data no ano passado. Ainda está atualizado e serve para uma boa reflexão para que insiste em querer se dar bem ou liberar seus instintos mais primitivos ou querer curar seus traumas no trânsito.
Boa leitura!

TRÂNSITO PARA A MORTE

Comemora-se no domingo, 21 de novembro, o Dia Mundial em Memória das Vítimas de Trânsito. No Brasil, a violência automotorizada ceifa, por ano, 37.000 vidas, e causa lesões em outras 120 mil pessoas, a maioria condenada à invalidez (dados IPEA/DENATRAN/ANTP).
Os gastos com vítimas de acidentes de trânsito somam, por ano, R$ 34 bilhões (resgate, tratamento, perdas de produção e materiais etc.). Isso equivale a mais da metade de todo o orçamento anual do Ministério da Saúde.
O Brasil ocupa, hoje, a 5ª posição mundial em quantidade absoluta de fatalidades no trânsito, depois da Índia, China, EUA e Rússia. Conforme pesquisa divulgada pelo IBGE este ano, em diversos estados brasileiros o trânsito já mata mais do que a violência interpessoal.
Se sérias providências não forem tomadas, nos próximos quatro anos morrerão, em ruas e estradas do Brasil, mais 160 mil pessoas; e mais 720 mil serão hospitalizadas, o que representará um custo de R$ 136 bilhões ao país.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, morrem no mundo cerca de 1,2 milhão de pessoas, todos os anos, por causa da violência no trânsito. Ficam feridas e/ou inválidas mais de 20 milhões. A OMS informa que, a continuar nesse ritmo, as fatalidades em ruas e estradas passarão do 9º lugar (2004) para o 5º lugar (2030) entre os principais fatores de mortalidade no mundo, provocando cerca de 2,4 milhões de mortes ao ano.
Esse índice será devido, principalmente, ao crescimento dos acidentes em países em desenvolvimento, como a Índia, a China e o Brasil, e nos países pobres. É importante frisar que, na faixa etária de 15 a 29 anos, os acidentes no trânsito já são a primeira causa de mortes no mundo, à frente da Aids, da tuberculose e da violência.
Preocupada com esta catástrofe, a ONU declarou 2011-2020 a Década de Ação para a Segurança Viária, e o terceiro domingo de novembro como o Dia Mundial em Memória das Vítimas de Trânsito.
São seguros os veículos que trafegam Brasil afora? Na publicidade, todos são maravilhosos, aerodinâmicos, confortáveis. Tão impregnados de fetiche que nutrem o ego de seus donos e elevam a autoestima dos motoristas. Tornaram-se símbolos de status e, no caso dos mais caros e velozes, de poder (observe como certos motoristas avançam suas possantes máquinas sobre frágeis pedestres que atravessam a rua). Bilhões de pessoas, em todo o mundo, acompanham com interesse as corridas de Fórmula 1.
O veículo pode parecer quase perfeito, mas quem garante que, na hora H, os freios responderão com segurança e os airbags haverão de proteger os passageiros? Segundo Maria Inês Dolci, especialista em direito do consumidor, o Brasil começará, em breve, a adotar o Programa de Avaliação de Carros Novos (NCAP, na sigla em inglês).
Na Europa, o programa se iniciou em 1996. E já há iniciativas similares nos EUA, no Japão, na Austrália, na Coreia do Sul e na China. Consiste em promover testes de colisão dos veículos ocupados por manequins portadores de sensores que captam os efeitos das batidas. Câmeras de vídeo registram os movimentos e os detalhes das colisões sobre o veículo e os passageiros.
Espera-se que essas informações cheguem à mídia, de modo que os consumidores tenham conhecimento sobre a segurança e os riscos ao adquirir determinado veículo. Assim, o conceito de mais barato se modificará, afirma Maria Inês Dolci, porque economizar em segurança não é uma boa maneira de comprar qualquer produto ou serviço. Graças à lei sancionada pelo presidente Lula, a partir de 2014 os fabricantes de automóveis no Brasil oferecerão, como acessórios básicos e obrigatórios, airbags, freios ABS e proteção lateral nas portas.
Os veículos ficarão mais caros? Ora, no preço de cada um vêem embutidos quase 40% de impostos (IPI, ICMS, PIS, Cofins etc.). Donos de veículos pagam, anualmente, o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), o licenciamento e o seguro obrigatório. E muito dinheiro é arrecadado via multas de trânsito.
No Brasil, o preço dos carros é proporcionalmente bem mais caro que nos EUA e na Europa. Abatido o volume de impostos, eles poderiam ser mais seguros e baratos. O que seria compensado pela redução dos gastos do SUS com acidentados. Em outras palavras, o governo recolheria menos impostos mas, em compensação, gastaria menos com as consequências da insegurança no trânsito.
É preciso se somar a isso intensa campanha de educação no trânsito, reforçando o respeito à lei e à sinalização. É lamentável constatar a leniência do Judiciário com os assassinos do volante: permanecem impunes, continuam a portar carteiras de habilitação e a dirigir. A fiscalização é precária e, não raro, guardas e fiscais são facilmente corrompidos, sem que haja punição severa.
No caminho da vida, o trânsito para a morte é inevitável para todos nós. Melhor que não seja antecipado por irresponsabilidade do motorista, omissão do poder público e insegurança do

[Autor de "Cartas da Prisão” (Agir), entre outros livros. http://www.freibetto.org - twitter:@freibetto
Copyright 2010 – FREI BETTO – Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização do autor. Assine todos os artigos do escritor e os receberá diretamente em seu e-mail. Contato – MHPAL – Agência Literária (mhpal@terra.com.br)].

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

VAMOS AO TEMPLO, DO CONSUMO


Recentemente, tivemos o feriado da Divisão do Estado, de Nossa Senhora Aparecida e a antecipação, pra quem estuda ou é da área da educação, do Dia do Professor, para o dia 10 de outubro. Um feriado prolongado e bom para se descansar, rezar e para ser aproveitado em família e com os amigos. Mas assim como a Festa do Natal, a liturgia celebrativa da data, foi substituída pelo consumo do Dia das Crianças. Não que nossas crianças não mereçam ganhar presentes, mas nossas vidas e nem a delas devem ser pautadas por isso.

Para nós - pais, padrinhos, tios, avós, etc – é quase uma obrigação o cumprimento do rito de presentear nossas crianças com os vários tipos de brinquedos que as publicidades dizem, quase que de forma impositiva, que nossas crianças têm que ter.
O Brasil é um dos poucos países que não tem legislação que regula a publicidade de produtos voltados para o publico infanto-juvenil. Aqui tudo é liberado. Em outros países, muitos deles, dito do primeiro mundo, têm leis específicas que controlam as propagandas para esse público afim de que não haja um incentivo ao consumismo, à erotização e à violência desde cedo. Já no Brasil isso não existe. Segundo pesquisa do site InterScience, de 2003, que trabalha com o tema do consumo responsável, em nosso país, cerca de tudo o que se consume dentro de uma casa, 80% é influenciado pela vontade ou não das crianças que nela moram. Desde um inocente brinquedo até o automóvel da família. As publicidades de produtos infantis, sabiamente não são dirigidas a nós adultos. Elas são dirigidas às crianças, já que são elas que decidem. 80% também é o percentual dos produtos anunciados na programação infantil que são riquíssimos em gorduras e paupérrimos em nutrientes, segundo a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
Em outros países como a Inglaterra, Canadá, Noruega, EUA, Itália, Bélgica, Holanda, Suécia, Alemanha, além de Portugal e Dinamarca, existem leis severas que coíbem abusos e outras até proíbem qualquer tipo de propaganda para o público em questão.
Precisamos urgentemente fazer um debate nacional sobre essa influência em nossas casas. Precisamos discutir o lobby das empresas fabricantes e das importadoras desses produtos sobre nossos parlamentares federais para que não façam esse tipo de debate na Câmara Federal. Isso é grave e precisamos encarar de frente. Não podemos ter jovens matando outros jovens pela “simples” satisfação de se ter aquele tênis que o outro tem e ele não. Não podemos ter crianças ansiosas para ganhar aquele brinquedo que depois de um dia, ou quem sabe uma meia hora apenas, não querer mais saber dele. Precisamos resgatar o encantamento pelo brinquedo e não o “enganamento” da publicidade. Precisamos ter uma mídia que educa para o consumo com reflexão e para a cidadania. Por fim, precisamos começar a mudar nossos próprios hábitos de consumo, além de educar nossas crianças para que tenham responsabilidade ao comprar.

TIRE UMA ARMA DO FUTURO DE SUA VIDA

Recentemente uma jovem de 12 anos foi morta acidentalmente por um colega de 15, quando este brincava com uma arma de fogo, no bairro Zé Pereira, aqui em campo grande. Em São Paulo, mais especificamente em São Caetano do Sul, uma criança de apenas 10 anos de idade atirou contra sua professora e depois acabou dando fim à sua própria vida, dentro de uma unidade escolar. Dia 11 de setembro desse ano, um segurança da Boate Voodoo acabou sendo morto por dois tiros quando jovens causavam confusão no estabelecimento e foram repreendidos pelo segurança. Recentemente, no Portal Caiobá, o dono de uma conveniência atirou em três pessoas por desavença de um troco de apenas R$ 0,15. Uma dessas pessoas veio a falecer e as outras duas ficaram feridas. Esses são os casos mais recentes e emblemáticos que vem acontecendo, tendo como protagonista, infelizmente, a arma de fogo.
Começo esse texto fazendo menção a esses fatos, mas a lista poderia ser bem maior, justamente por que em todos eles os protagonistas não são o crime em si, mas o fácil acesso que as pessoas ainda têm às armas de fogo. Seria muita redundância da minha parte dizer que todos esses crimes poderiam ser evitados se não houvesse uma arma nas mãos dessas pessoas, mas não é. Infelizmente ainda tem muita gente morrendo vítima desse tipo de arma.
Por mais que se faça um esforço de se desarmar a população, algumas pessoas ainda insistem em achar que tendo uma arma de fogo ela estará protegida. Ledo engano. A prova está aí: cada vez mais pessoas de “bem”, armadas, cometendo crimes.
As vezes acho que quando damos um passo adiante no desarmamento, vem sempre uma outra força que faz com que a gente dê dois passos para trás. Em maio de 2007, o Superior Tribunal Federal (STF) aprovou em plenário através de seus Ministros a revogação de dois artigos do Estatuto do Desarmamento que julgaram inconstitucionais. A decisão da Suprema Corte nasceu de um questionamento feito pelo PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), associações de delegados e federações de vigilantes. Objetivamente, os dois artigos em questão dizem respeito aos dispositivos do Estatuto que proibiam a concessão de liberdade, mediante o pagamento de fiança, no caso de porte ilegal de arma (parágrafo único do artigo 14) e disparo de arma de fogo (parágrafo único do artigo 15). Segundo a posição final dos magistrados, o porte ilegal e o disparo de arma de fogo “constituem crimes de mera conduta que, embora reduzam o nível de segurança coletiva, não se equiparam aos crimes que acarretam lesão ou ameaças de lesão à vida ou a propriedade”.
Ou seja, trazendo para a realidade, se uma pessoa for pega na rua andando com qualquer tipo de arma de fogo - revólver, pistola, carabina, fuzil, metralhadora etc, - será liberado mediante pagamento de fiança. O mesmo acontece para quem é pego disparando com qualquer tipo de arma em via pública ou em propriedade privada.
Essa decisão tomada pelo Supremo, acaba sendo um “tiro que sai pela culatra”. Hoje o que mais se tem discutido pela sociedade brasileira é a questão da segurança pública deficitária que nós temos. Mas ao mesmo tempo em que o poder público não consegue encontrar uma solução para o problema, acaba instituindo normas que favorecerem ainda mais o aumento da violência. Um desses exemplos é essa recente decisão dos juízes.
Dados da Organização Mundial da Saúde e do Ministério da Saúde revelam que por ano morrem no Brasil cerca de 38 mil pessoas vítimas de disparo de armas de fogo. A cada 5 suicídios cometidos, um é por arma de fogo e está mais do que comprovado que a cada caso de pessoa que reage a um assalto e tem sucesso, 285 outros casos foram fracassados. A cada dois dias uma criança ou adolescente morre vítima de disparo acidental ou não de arma de fogo.
Suprimido em outubro de 2005, através de um referendo, o artigo 35 que dispunha sobre a comercialização de arma de fogo e munição em todo o território nacional e agora os artigos 14 e 15, o estatuto perdeu seu sentido. Aliás, essas mesmas entidades que entraram com pedido de anulação desses artigos queriam mesmo era a inconstitucionalidade do Estatuto inteiro.
Segundo dados do Sinarm (Sistema Nacional de Arma) só em Mato Grosso do Sul existem 73.875 armas registradas e uma estimativa de 203.000 armas sem registro. Outro dado importante é que a grande maioria dos crimes cometidos, os são por armas de uso doméstico, ou seja, com armas que não foram contrabandeadas e sim compradas legalmente e que por um motivo ou outro foram parar nas mãos de bandidos.
É preciso que o Estado invista mais em segurança pública preventiva desestimulando a população de querer fazer segurança ou justiça com as próprias mãos.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

CORRUPÇÃO PASSIVA


Muito tem se falado, pelo menos nesses últimos cem anos, através da imprensa, sobre a corrupção política no Brasil. Alguns até insistem em dizer que todos os problemas, de todas as sortes, que acometem o nosso país, são ocasionados por conta de termos um dos países mais corruptos do mundo. Alguns ainda tentam justificar essa vergonhosa situação como um fato histórico e cultural, haja vista que Pero Vaz de Caminha, já em sua carta de descobrimento, instaurava o nepotismo.
Sendo comodismo, histórico, cultural ou não, o fato é que esse assunto tem sido pauta de todos os jornais há anos e muita pouca coisa tem-se feito no sentido de combater essas práticas. Com isso, boa parta parte da população não tem tido o interesse necessário para acompanhar as discussões de forma mais aprofundada oferecidas pela nossa democracia conquistada à custa de muitas vidas.
Os jovens são os principais reflexos desse desencanto. Não se vê mais envolvimento dos nossos estudantes como houve em tempos atrás em causa nobres como o direito à liberdade de expressão, envolvimento nos movimentos sociais populares ou não, ou a luta pela Direta Já e pela democracia. A principal luta hoje do movimento estudantil é a venda das “carteirinhas” que garantem a meia entrada em qualquer atividade cultural. E disso eu falo com propriedade já que fiz parte intensamente desse movimento quando do período de estudante universitário.
Mais recentemente alguns jovens tentaram, repito, tentaram promover uma Marcha pela Corrupção em todo o Brasil. Aqui em Campo Grande o vexame foi maior ainda. Conforme matéria veiculada pela imprensa local, apenas doze heróis estiveram no pátio da prefeitura empunhado faixas pela moralização na política, mesmo com uma mobilização forte e a confirmação de mais de mil pessoas pelas redes sociais.
O que eu quero dizer é que a corrupção não acontece somente no meio político como muitos pesam. A corrupção está em todos os lugares, sejam estes públicos ou privados. Lembram da Lei de Gerson? No caso aqui o Gerson é aquele jogador de futebol, campeão do mundo na Copa de 70, que em propaganda de cigarro dizia que só pensava em levar vantagem em tudo. Pois é, boa parte da população, principalmente em época de eleição procura aplicar a Lei de Gerson. Isso é fato! Até algumas pessoas esclarecidas buscam algum tipo de benefício nessas épocas justificando que o candidato está oferecendo e ele está precisando, então por que não aceitar o “agrado”. Isso também não seria corrupção por parte de quem aceita? Por acaso esse dinheiro, combustível ou qualquer tipo de doação recebida está na prestação de contas de quem a doou? De onde veio esse dinheiro gasto com essa “doação”? Qual a intenção do candidato que gasta bem mais do que aquilo que ele vai receber em salário se eleito for?
Sempre digo que nenhum político apontado como corrupto pela imprensa ou pela população caiu do céu direto para o parlamento ou no poder executivo. Os cupinchas pode até ser que tenham caído do céu, mas os eleitos não. Então, quem os colocaram lá senão a própria população?
Por fim, creio que a função principal da imprensa seria o de ter um papel educativo sobre a corrupção. A corrupção não só no meio político mais na vida pessoal de cada pessoa. Sei que a prática da honestidade e a opção pela ética e pelo que é moral vem de berço, mas pode-se adquirir ou longo da vida através da reflexão e pela influência do meio em que vivemos. Como nossas vidas são “pautadas” pelo que a imprensa nos projeta, penso que seria mais útil se ela elaborasse projetos que divulgasse uma programação que tratasse de um envolvimento com aquilo que é ético para as próprias pessoas. Não há como acreditar de só fazendo o papel de denunciante a imprensa já estaria cumprindo seu papel social para moralizar e sociedade.
Mas até esse tema da ética interferir na própria imprensa já seria tema para, quem sabe, um outro artigo.

ORGANIZAR PARA SE GARANTIR

Com a sedentarização no período da história conhecido como Neolítico ou Idade da Pedra Polida, os seres humanos desenvolveram uma forma de organização que facilitava o acesso às coisas que supriam suas necessidades, como: lavoura, criação de animais e já algumas obras, tudo visando atender a coletividade. Desde então a humanidade sempre buscou uma forma de organização que garantisse o mínimo de direito, tranqüilidade e segurança. Com tudo isso, foi surgindo as primeiras cidades que na Grécia antiga denominava-se pólis. Daí vem a expressão político, ou seja, o membro da polis.
Já em 384 a.C. ainda na Grécia, Aristóteles dizia que o ser humano em sua própria natureza seria incapaz de sobreviver isolado dos outros, o que gera a necessidade  de constituir associações e o próprio Estado comum a todos.  Aristóteles  em seu estudo sobre a política humana, além de observar as cidades-estados gregas, buscou elaborar um estudo sobre uma ordem natural organizacional do homem. Nesse estudo ele sentenciou que o ser humano é um animal político por natureza.
Portanto, diante do mundo moderno onde o que impera são as relações individualistas e de ações solitárias e não solidárias, é que se faz necessário um momento de reflexão sobre a importância de voltamos a ter como objetivo a organização das pessoas em grupos que articulam um ideal de defesa de seus princípios. Mesmo que às vezes esses princípios não correspondem com a vontade do conjunto da sociedade, eles são legítimos, pois correspondem aos anseios de um grupo de indivíduos que tem a direito de constitucional de se organizar.
Nesse sentido é necessário que as pessoas tenham a consciência de que se organizando elas poderão se fortalecer para manter ou conquistar seus direitos. Tenho ajudado algumas comunidades de moradores a se organizar para lutar pelos bem estar. Além dos benefícios que temos que fazer valer, é necessário que a população passe por momentos de formação sobre cidadania, na expectativa de que tenha uma maior autonomia e independência diante do clientelismo que alguns políticos insistem em manter. Agremiações, associações, partidos políticos, APM’s (Associações de Pais e Mestres), sindicatos, ferederações ou qualquer tipo de organização que tenha por objetivo a formação da cidadania de forma autônoma da pessoa humana sempre será fundamental para a manutenção da própria democracia. Por isso, deve ser sempre valorizada e incentivada a criação e a participação dos seus membros.

Silas Fauzi: Professor e militante de movimentos sociais

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

QUAL A ESPERANÇA QUE TE MOTIVA?


Estive participando, no final desta semana, dia 27 de agosto, da abertura do Encontro Regional (MS) da Pastoral da Juventude, a famosa PJ. Apesar de já ter passado há algum tempo da idade de militar nessa pastoral, estive lá como convidado para compor a mesa de abertura e falar um pouco sobre a minha experiência no período de militância, nos início dos anos noventa.
Olhando para os jovens de hoje, pude perceber que estamos vivendo um novo momento para a reorganização dos movimentos que sempre se articularam em torno de um objetivo concreto, embora, às vezes utópico, mas não deixava de ser alcançável. A frase do profeta Raul Seixas, “sonho que se sonha junto é realidade”, nos imbuia de que nossos sonhos eram possíveis.
Durante a mística de abertura do encontro, os jovens eram levados a refletir sobre qual a esperança que os motiva? Essa deve ser a pergunta a ser feita a todos os jovens nos dias de hoje! Creio que será muito difícil encontrar um jovem que dê a resposta. Se encontrarmos, a resposta será sempre no campo pessoal e específico, como: passar no Enem, passar num concurso público, ter um carro ou qualquer coisa desse tipo. Talvez, encontraremos uma resposta no campo coletivo e social, tipo: lutar por um mundo melhor, onde não haja ganância, onde as pessoas se respeitem, onde prevaleça a solidariedade, etc.
É bem verdade que os tempo de militância são outros. Tudo muda. O mundo muda. Já dizia o filósofo grego Heráclito que a água que passa debaixo da ponte nunca é a mesma. A militância e mobilização se fazem hoje pelas redes sociais. Não há aquela motivação de ir para as ruas, levantar bandeiras, pichar muros com palavras de ordem. Hoje a revolta acontece no mundo virtual a partir das quatro paredes do nosso quarto, de onde podemos dizer o que pensamos e para quem quisermos e, o que é melhor, sem ter que se expor.
Dos jovens que lutavam contra a ditadura militar nos anos sessenta, que aderiam as lutas dos movimentos sindicais nos anos setenta, que aderiam os movimentos sociais nos anos oitenta e que pintavam a cara nos anos noventa, só nos sobrou aqueles que hoje vão à rua lutar pela legalização da maconha. Longe de mim querer ser moralista, mas qual é a esperança que nos motiva mesmo?

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A CULPA DA EDUCAÇÃO


Outro dia vi um desses programas sensacionalistas que passam no final da tarde e que estava falando sobre o aumento da criminalidade entre os jovens menores de idade, principalmente no envolvimento com o tráfico de drogas e suas consequências (consumo/dependência e crimes, como assaltos a assassinatos). Para debater o assunto chamaram um magistrado que, no alto de sua sabedoria empírica falava que o grande problema pelo qual a nossa juventude está passando é “culpa” da educação ou a falta dela. Num primeiro momento, seguindo o instinto do senso comum, podemos até concordar com sua grande descoberta, mas parando um pouco para refletir, chego a conclusão de que essa é  mais uma responsabilidade que a família e o próprio estado transfere para a educação.
Sabemos todos, e todos vociferam isso, de que a educação é a solução de tudo, mas do jeito que as coisas são colocadas parece que a educação tem uma varinha de condão para solucionar as principais mazelas que nos afligem socialmente ou de que a falta dela é que tem deixado a nossa sociedade cada vez pior.
Acredito que, além de educação de qualidade e com vertente para a cidadania e honestidade oferecida pelo Estado, ela também deve ser refletida e aprimorada no sei familiar. Mas ainda não é tudo, haja vista que várias famílias, no ímpeto de lutar pela sobrevivência de seus membros, acabam não tendo estrutura para transferir o mínimo de conceitos éticos e morais aos seus entes.
O que deve acontecer de fato é um interesse maior por parte do poder público para que insiram em suas pautas governamentais programas que incluam a parte da sociedade mais vulnerável em políticas públicas de inclusão social e até mesmo de recuperação para aqueles que se envolveram em crimes ainda na juventude. Em bairros mais populosos e sem infraestrutura nenhuma, como Cidade de Deus, Dom Antonio, Lageado, Los Angeles e outros, quais as ações sociais de inclusão oferecidas aos jovens de forma sistemática? Infraestrutura como Posto de Saúde e escola tão somente não valem se não tiver uma política de infraestrutura social e permanente. Ou seja, o que precisa é alternativa ao mundo do crime. Sairia muito mais barato e menos oneroso politicamente se o Estado, ao invés de usar seu braço forte, usasse o seu braço terno. Isso não é assistencialismo e nem utopia, mas sim política pública verdadeira e de inclusão social.

*Silas Fauzi: Professor de história e filosofia e militante de movimentos sociais

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

CONSULTA REMÉDIOS

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CARTA DE D. PEDRO CASALDÁLIGA POR OCASIÃO DA ROMARIA DOS MÁRTIRES DA TERRA