sexta-feira, 9 de novembro de 2012

A LUTA PELOS DIREITOS


A prefeitura de Campo Grande através de seus gestores parece mesmo que não é muito simpática à ideia de política de inclusão da pessoa com deficiência. Além de não colocar em prática em seus órgãos públicos a própria lei que estabelece o piso tátil em todas as calçadas, também relutou em dar posse à professora Telma Nantes Matos, diretora do Instituto Sul-mato-grossense para cegos (ISMAC), que passou num concurso público para professora da Rede Municipal de Ensino, sendo ela deficiente visual. A luta dela perdurou por longos três anos até que a justiça a concedeu o direito de tomar posse no início desse mês. Mesmo havendo a garantia de reserva de vaga para pessoas com deficiência, a professora foi impedida de assumir à época de sua aprovação, tendo ela feito a prova em braile, o que, por isso, já caracteriza má fé ou até mesmo discriminação dos administradores para que ela assumisse sua vaga.
Há muito que as pessoas que vivem com algum tipo de deficiência precisam de uma atenção especial aqui em nossa cidade. Alunos de escolas especiais, por exemplo, tem uma grande dificuldade em se locomover de suas residências até às escolas. Faltam ônibus adaptados, principalmente nos horários de entrada e saída das crianças, adolescentes e adultos que frequentam essas entidades para, não somente para estudarem, mas também para fazerem tratamento de reabilitação. Existe ainda, a dificuldade da manutenção do repasse financeiro em dia por parte dos poderes públicos para essas mesmas entidades, dificultando o desenvolvimento das atividades no seu dia-a-dia.
Segundo dados do último Censo do IBGE, cerca de 24% da população brasileira, ou seja, 46 milhões, se autodeclararam com algum tipo de deficiência, praticamente 1/4 do Brasil. Se formos analisar friamente os números perceberemos o quão distante ainda estamos da verdadeira inclusão dessas pessoas. Dessa parcela da população a maioria é de mulher. Entre os idosos, aproximadamente 68% declararam possuir alguma das deficiências. Pretos e amarelos foram os grupos em que se verificaram maiores proporções de deficientes (27,1% para ambos). Em todos os grupos de cor ou raça, havia mais mulheres com deficiência, especialmente entre os pretos (23,5% dos homens e 30,9% das mulheres, uma diferença de 7,4 pontos percentuais). Em 2010, o Censo registrou, ainda, que as desigualdades permanecem em relação aos deficientes, que têm taxas de escolarização menores que a população sem nenhuma das deficiências investigadas (mental, motora, visual e auditiva). O mesmo ocorreu em relação à ocupação e ao rendimento. Todos esses números referem-se à soma dos três graus de severidade das deficiências investigados (alguma dificuldade, grande dificuldade, não consegue de modo algum).
Isso revela que todos os governos tem pensar numa estratégia política de não somente dar acesso arquitetônico para essas pessoas, como também pensar numa forma de incluí-las no mercado de trabalho, nas universidades e nas próprias escolas regulares. Isso se chama acessibilidade  atitudinal.
Deve haver uma política pública que fuja do mero assistencialismo e que promova a igualdade de direitos resguardando as diferenças que os caracteriza como diz o sociólogo português Boaventura de Souza Santos. Isso não é um desafio tão somente para o prefeito atual de Campo Grande e para o seu sucessor, mas de toda a sociedade e pessoas que tem ou não alguma deficiência. Ao contrário da doença, a deficiência é algo permanente e pode ter sua origem desde a formação do feto, no parto e até mesmo através de um trauma adquirido. Portanto, nenhum de nós estamos livre da deficiência. E para se fazer um defensor dessa causa não basta ter uma deficiência ou ter alguém na família nessa condição. Basta ter a sensibilidade de que a justiça e o direito estejam acessíveis a todos.

Fonte: http://tinyurl.com/aagjlt4

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